Presença, estar presente, suportar o presente
- MB Comunica-te

- 12 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
Dá angústia quando se conecta com isso.
Então, me lembrei de umas das aulas que assisti da psicanalista Maria Homem, onde ela fala da
importância da angústia. Do porque que é interessante a angústia, no intuito de sustentar um
pouco todo esse caos ..
Ela cita Lacan, que diz: “a angústia não mente, é o único afeto que não mente. Onde ela
aparece, onde tem um sinal de angústia, tem uma verdade invertida do seu desejo mais
radical, de uma posição de existência”.
Onde é que angustia?: No ponto de insuportabilidade do seu desejo e no medo radical de que
você desapareça, que você suma, que você tenha, o que a gente chama, de um
despedaçamento, um desaparecimento do seu ser.
Então, banca isso, atravessa esse momento. Porque quando você desaparece, quando você não
se reconhece, quando você se perde de você mesmo, é aí que talvez possa surgir o
radicalmente novo do que é você.
Descoberta ou redescoberta, criatividade!
Continuar com o nosso, “olá, tudo bem, como você está?” por chamada de áudio ou vídeo, já
concretiza nosso potencial de criatividade, uma vez que continuamos proporcionando ao nosso
cliente o acolhimento do ambiente terapêutico e mostrando a ele uma atitude de auto cuidado
– que é o não correr o risco de serem vetores para a proliferação da doença, nesse momento
de pandemia. Manter as sessões, mesmo que online, é uma preocupação a menos nesse
cenário de ansiedade, medo, dúvidas, angústia, perdas.
Mas, e nós, profissionais da saúde mental, que estamos também nesse front? Como achar
nosso grounding na hora da nossa doença, da nossa apatia, do nosso medo, do nosso cansaço
físico e mental?
São Paulo já afastou mais de 600 profissionais da saúde com suspeita ou diagnosticado com
COVID-19. Muitos não entendem, afinal, nesse momento de pandemia, somos ainda mais
imprescindíveis – e aí surge o peso, a culpa, a aflição. Tudo o que ando vendo, lendo e ouvindo
sobre ação, criatividade, profissional do futuro, sistema híbrido, leva à seguinte conclusão:
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL. E isso, nossas formações em terapias corporais nos ensinam de
sobra! Coragem, resiliência, força, empatia.
Recentemente recebi em um grupo de whatsapp um artigo do filósofo Byung-Chul Han, que
nos convida a refletir sobre aproveitar a crise para uma revisão radical no nosso modo de vida.
Conta que a os sintomas das doenças que nossa sociedade sofria antes da pandemia se
destacam agora com ainda mais força e um desses sintomas é o cansaço. Até a inatividade a
que o confinamento nos obriga nos causa fadiga.. Será que não estamos cada vez mais
desconectados então, com o aqui e agora? Nos obrigando a ter bons desempenhos, render
mais, causar uma boa imagem? Penso que aí acabamos ficando tão frágeis e confusos quantos
nossos clientes. Confundindo liberdade e bom desempenho com trabalho forçado e prisão.
Sugiro que deixemos fluir, saiamos do campo de batalha e criemos ressonância com nossos
clientes. Que nos emocionemos juntos e apreciemos a qualidade do encontro e do momento.
Para que o sentir faça sentido..





Comentários